“Um dia a História fará um julgamento mais justo de Deng Xiaoping, Li Peng e Zhao Ziyang”, afirma Chen Xitong

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Mais de duas décadas depois, um dos líderes chineses habitualmente associados à sangrenta intervenção militar do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, Chen Xitong, distanciou-se da operação e apelou para o “reexame” do que considera “uma lamentável tragédia”.


“Várias centenas de pessoas morreram nesse dia [4 de Junho de 1989]”, diz Chen Xitong num livro citado terça-feira pelo jornal South China Morning Post e que sairá na sexta-feira em Hong Kong. “Esperava que pudéssemos resolver o caso pacificamente. Muitas coisas ainda não são claras, mas acredito que um dia a verdade virá ao de cima. Precisamos de analisar porque ocorreu uma tragédia destas. Os acontecimentos foram provocados pela luta interna no topo do poder e conduziram a uma tragédia que ninguém queria ver. Precisamos de reexaminar calmamente o caso e tirar uma lição do que aconteceu.”

Chen Xitong, de 82 anos, era então presidente da câmara de Pequim.

No relatório, que apresentou à Assembleia Nacional Popular no final de Junho de 1989, Chen condenou a ocupação estudantil da Praça Tiananmen como “uma rebelião contra-revolucionária”, expressão usada ainda hoje pelas autoridades para classificar as manifestações que há 23 anos abalaram o país.

 

Numa série de entrevistas concedidas este ano ao académico Yao Jainfu e reunidas agora em livro, Chen conta que não escreveu uma única palavra daquele relatório. “Fielmente, li o relatório que me prepararam, até ao mais pequeno pormenor de pontuação.”

 

Memória dolorosa
Na altura, o principal líder da China era Deng Xiaoping, presidente da Comissão Militar Central, designado oficialmente como “arquiteto-chefe da política de Reforma Económica e Abertura ao Exterior”, mas foi o primeiro-ministro Li Peng que, antes do 4 de Junho, apareceu na televisão a declarar a lei marcial.





No campo oposto encontrava-se o secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC), Zhao Ziyang, afastado depois sob a acusação de ter apoiado os protestos estudantis e tentado “dividir o partido”. Zhao Ziyang viveria em prisão domiciliária até morrer, em Fevereiro de 2005.





“Um dia o partido desclassificará todos os documentos e a História fará um julgamento mais justo de Deng Xiaoping, Li Peng e Zhao Ziyang. É uma questão de tempo.”





Citando o actual primeiro-ministro, Wen Jiabao, Chen defende que a China “precisa de reformas políticas” e de “um sistema mais democrático”.





Depois do exército ter esmagado o movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, Chen ascendeu ao Politburo do PCC, mas a sua carreira terminou em 1995, na sequência de um alegado confronto com o novo secretário-geral do partido e presidente da China, Jiang Zemin. Chen Xitong foi acusado de corrupção e condenado a 16 anos de prisão.





A actual liderança, encabeçada pelo presidente Hu Jintao, não estava no topo do poder em 1989, mas tem recusado “rever” o veredicto oficial acerca do “4 de Junho”.

Centenas de pessoas morreram e milhares de outras foram presas ou exilaram-se, num dos maiores traumas da China contemporânea.