As Políticas Públicas para a Educaçao no Estado recém-estabelecido da Manchukuo André Saraiva Santos, Universidade de Aveiro, Portugal

In Estudios, Sociedadby Xulio Ríos

Resumo: Um nacionalismo chinês crescente e ameaçador, um general jovem chinês que não se deixava influenciar pelos conselheiros japoneses que outrora persuadiram o seu pai, uma situação económica aflitiva no Japão e um governo nacional não cooperante, foram factores cruciais para o Exército japonês na Manchúria (Kwantung) intervir militarmente e assegurar os interesses especiais japoneses na região que tantos anos custaram a adquirir. Perante uma ordem internacional onde o imperialismo se tornava cada vez mais contestado, nasce o novo estado da Manchukuo. Os políticos deste país buscam legitimidade no exterior, tentando dificilmente explicar o movimento de independência proveniente da vontade dos 30 milhões de manchurianos, assim como tentam arquitetar uma identidade nacional que homogeneíze uma população repleta de diversidade cultural proveniente de várias etnias. É neste sentido que este artigo pretende entender as primeiras políticas promulgadas pelo governo de Xinjing para a área da educação, e de que maneira a educação como agente do estado criou e reaproveitou conceitos históricos, ideológicos, filosóficos e religiosos para a reprodução de modelos de cidadão que consciencializassem e incorporassem os valores defendidos pelo estado, como também tentassem combater o nacionalismo chinês presente na grande maioria étnica da região: os Han. Igualmente se explicitará as proibições levantadas pelo Ministério da Educação da Manchukuo no acesso à informação e à cultura produzida no interior ou proveniente do exterior, procurando manter a população letrada alheia a determinadas fontes de conhecimento tentando consolidar a integridade ideológica do estado.

Palavras-chave: Manchukuo, Políticas Públicas, Educação, Colonialismo, Pan-Asianismo

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